quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Essa história ainda não teve fim

 Eu conheci o João num desses dias em que a gente sai de casa despretenciosamente sem intenção de conhecer ninguém. Eu já estava a quase 4 anos em um relacionamento que já não estava lá essas coisas (depois falo sobre isso) mas eu não estava a procura de ninguém naquele dia e nem com a vontade de flertar por diversão (eu faço isso sempre, foi mal, a culpa é do meu signo). 

Minha melhor amiga ia se mudar para São Paulo em poucos dias e por isso decidiu fazer uma despedida para os amigos mais próximos. O meu namorado estava no fim do curso de direito e estudando muito para o exame da OAB, isso fazia com que quase não saíssemos muito nos finais de semana, por isso, eu quase sempre saia sozinha e isso era tranquilo no nosso relacionamento. Então naquele dia, eu fui sozinha. Ela marcou de irmos em um bar da cidade, desses alternativos que tem decoração rústica, tocam rock e tem cerveja artesanal. Era uma sexta-feira, não me lembro de que dia de fevereiro de 2018. Chegamos lá e para nossa surpresa o bar estava completamente vazio, basicamente tinham meia dúzia de pessoas além dos convidados da minha amiga.

O João era um amigo dela a algum tempo mas eu nunca tinha o visto de perto a não ser nesse dia. Só me lembro de não gostar muito dele quando ela me falava dele. Os dois num passado não muito recente já tinham ficado uma ou duas vezes, minha amiga se apaixonou (o que é extremamente compreensível se trantande dele) e logo depois descobriu que ele namorava e ainda por cima ficava com outra menina enquanto eles ficaram. Ela me contava tudo na época e eu peguei o famoso ranço de ouvir sobre ele até que o tempo passou e eles viraram bons amigos. 

Ele estava no bar naquele dia. Quando chegamos havia uma mesa com alguns dos amigos dela os quais eu não conhecia nenhum então só dei um oi bem tímido, aqueles que a gente dá só uma vez pra cumprimentar todo mundo com preguiça de cumprimentar um por um. Não olhei fixamente pra ninguém, me lembro vagamente dos rostos. Mas ele estava lá e só me dei conta muito tempo depois. 

Encontrei até que enfim alguns conhecidos la dentro do bar, pedimos cerveja, rimos, tiramos fotos, andamos de um lado para outro, fomos no banheiro, tiramos mais fotos e por fim nos sentamos nuns bancos de paletes em um dos ambientes do bar. As horas foram passando e quando percebemos estavamos todos no fundo do bar, numa área mais aberta, todos os convidados da despedida. Estavam todos numa vibe boa, tirando fotos e não me lembro como e nem por qual assunto começamos a convesar. Eu e João. Admito, no início eu não vi nada muito diferente, não foi aqueeele amor à primeira vista, mas a conversa fluiu perfeitamente e falamos sobre mil coisas diferentes, enfim, o santo bateu, sabe?

Por alguns minutos ignoramos as pessoas ao redor e estavamos os dois entretidos e conversando como se nos conhecessemos a anos. Ele me deu uma cantada no meio de uma brincadeira e a timidez tomou conta de mim, na hora eu não sabia como responder até que fui salva, ou não, pela minha amiga que havia ouvido e soltou um: João, ela não! Ela namora! Pronto, eu vi a tristeza no olhar daquele homem. E que olhar...

Ele é um homem bonito. Alto na medida certa, não é magrelo mas também não é bombado, tem os braços tatuados, a barba cheia e lindos olhos verdes. Naquele dia eu não foquei em todos esses detalhes mas gostei dele, gostei da cantadinha improvisada, do papo sobre tudo e de como fizemos parecer que só tinhamos eu e ele naquele bar. 

Não aconteceu nada. Fui embora e não me lembro de ficar com ele na cabeça. Comentei com a minha amiga que havia achado ele legal e ela logo me passou o instagram dele e deu a maior força para que eu seguisse ele. Segui. Ele me seguiu de volta. Não falamos nada. Dias depois postou um storie, uma selfie dessas bem masculinas, tirada de baixo pra cima num lugar escuro. Eu vi aquela foto e pensei: PUTA QUE PARIU, quero! Mandei algum emotion como resposta e recebi um de volta.

Comentei com a minha amiga que tinha achado ele lindo na foto e ela logo já começou a dizer que tinhamos que ficar, que daríamos sair.


Continua...

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